Cena.
Era tarde da noite e o movimento já havia diminuído. Em frente à agência de um grande banco, fechado e com pouca iluminação, estava um menino. Sujo, feio, sozinho e com as roupas rasgadas. Parecia uma cena de teatro. O cenário, a iluminação, o personagem e o figurino tão real.
O menino jogava uma pequena pedra na porta principal. O alarme disparava. O menino corria sorridente. O barulho frio silenciava.
Pedra. Alarme. Sorriso. Silêncio.
Repetiu a operação umas três vezes, como quem brinca com um cachorrinho estimado.
Que irônica e romântica situação! Uma criança descriancizada brincando com um simbólico descriancizador... Quanta bela inocência!
Saciada a necessidade de sorrisos, foi-se o menino pela fria e longa madrugada paulistana.
Silêncio.

2 comentários (Clique aqui para comentar):
Uma cena de teatro realmente, ou quem sabe de um curta?!
só queria dizer uma coisa: Esse seu texto ficou foda...
continue postando aí, amadeus guimarães rosa
tah foda sergipano!
uma das marcantes e tristes cenas da nossa paulic�ia desvairada! ;)
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