quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Cena.

Há alguns dias eu estava passando pela Avenida Paulista e vi uma cena intrigante e triste.
Era tarde da noite e o movimento já havia diminuído. Em frente à agência de um grande banco, fechado e com pouca iluminação, estava um menino. Sujo, feio, sozinho e com as roupas rasgadas. Parecia uma cena de teatro. O cenário, a iluminação, o personagem e o figurino tão real.
O menino jogava uma pequena pedra na porta principal. O alarme disparava. O menino corria sorridente. O barulho frio silenciava.
Pedra. Alarme. Sorriso. Silêncio.
Repetiu a operação umas três vezes, como quem brinca com um cachorrinho estimado.
Que irônica e romântica situação! Uma criança descriancizada brincando com um simbólico descriancizador... Quanta bela inocência!
Saciada a necessidade de sorrisos, foi-se o menino pela fria e longa madrugada paulistana.
Silêncio.

2 comentários (Clique aqui para comentar):

João Turchi disse...

Uma cena de teatro realmente, ou quem sabe de um curta?!

só queria dizer uma coisa: Esse seu texto ficou foda...
continue postando aí, amadeus guimarães rosa

Silas Cardoso disse...

tah foda sergipano!

uma das marcantes e tristes cenas da nossa paulic�ia desvairada! ;)