sexta-feira, 23 de maio de 2008

Póstuma.

Hoje (dia 23) morreu Jefferson Péres, senador pelo Amazonas e figura marcante no cenário político nacional nas últimas décadas.
Sua influência política real no Congresso Nacional é constestável, assim como a verdadeira representatividade da sua atuação. Mas, assumiu o papel de uma espécie de guardião dos princípios morais que deveriam balizar a vida parlamentar brasileira.
Famoso pelos discursos em defesa da ética na política, usava raciocínios e argumentos de pouca complexidade, próximo do pensamento clichê/senso-comum da massa do eleitorado. E aí estava sua importância: dar ao povo a sensação de ver suas idéias e críticas expostas nas discussões do Senado. Já o poder de suas palavras diante dos colegas parlamentares é algo duvidoso demais.


De qualquer forma, é um que fará falta. Muito mais pelo seu simbolismo.

Abaixo um trecho de um pronunciamento do senador no Senado Federal:

"O que está faltando mesmo a este País e sempre faltou é uma elite dirigente com compromisso com a coisa pública, capaz de fazer neste País o que precisaria ser feito: investimento em capital humano.
Vejam que País é este. Estamos aqui com seis Senadores em pleno mês de agosto, porque estamos em recesso branco. Por que não se reduz a campanha eleitoral a trinta dias e transfere-se o recesso de julho para setembro? Nós ficaríamos com o Congresso aberto, de Casa cheia, até 31 de agosto. Faríamos trinta dias de campanha em recesso oficial, remunerado.
Estamos aqui no faz-de-conta. Como disse o Ministro Marco Aurélio, este é o País do faz-de-conta. Estamos fingindo que fazemos uma sessão do Senado, estamos em casa sem trabalhar."


Abraços!

p.s.: Não gostaria de ter tirado do topo do blog o texto "Em casa" (logo abaixo), mas a morte desse, que talvez seja um dos últimos bons velhinhos de Brasília, merece alguma lembrança aqui.

Em casa.


Vim passar uns dias em casa. E leia-se "casa" lato sensu: Recife.
É espetacular a sensação de ver a cidade do avião, por cima, distante. E então ir se aproximando, lembrando algumas paisagens conhecidas. Pisar e sentir o cheiro abafado e quente de sempre. E sentir as pessoas, ver o barulho das conversas, respirar tranquilidade.
O sol, que aqui parece ser mais vaidoso. As pessoas, que parecem refletir tudo o que eu sinto.
E lembrar aquelas coisas que eu sempre lembro quando volto.
E pensar em todas as poesias de exaltação do Recife, cada vez mais admirado com a sua verdade.
Aliás, esse momento da volta é uma confusão ufanista inexplicável. Depois de algumas horas a confusão vai desaparecendo, mas o ufanismo cresce a cada pedaço de saudade revivida.


p.s.1.: Sei que o que está escrito é pouco. Algum dia talvez eu detalhe mais, mas neste momento só queria fazer claro o sentimento de agora, puro.

p.s.2.: Mando um abraço a Erico, Natália e Khiary! Gostei muito da surpresa, que com certeza intensificou absurdamente o sentimento descrito acima.

Abraços!!!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Miopia.


Aí vai mais uma poesia minha. Não é das melhores, mas vale o esforço pela busca de maior frequência nas postagens aqui do blog.

Espero que gostem!



Miopia

Sem os óculos
Vejo um homem sem contorno
Borrão de homem
Gravata tão fina
Núcleo de átomos
Pensamento financeiro
Solidão de Baudelaire
Multidão solitária
E disforme

Sou míope...
Ou é ele?

Amadeus.



Beijos e abraços!!


p.s.: quero aproveitar e mandar um abraço forte e especial pra Arthur, que me mandou um e-mail muito legal. Amigão que está longe e que responde por algumas cotas da minha saudade de casa.

sábado, 17 de maio de 2008

Compay.


Estava ouvindo umas músicas de Compay Segundo, que na minha opinião é um dos mais sensacionais cantores de Cuba. Aproveito então pra citar um trecho de "La Engañadora":

“A Prado y Neptuno
iba una chiquita
que todos los hombres la tenían que mirar
Estaba gordita,
muy bien formadita,
era graciosita,
en resumen, colosal.
Pero todo en esta vida,
Se sabe, sin siquiera averiguar,
Se ha sabido que sus formas,
Rellenos tan sólo hay."

A parte em negrito foi por minha conta. Fiquei pensando sobre ela um bom tempo. É interessante como, apesar de ser tão simples, é tão verdadeira.
E mais interessante ainda perceber como, por trás de uma letra simples e ingênua, é possível se notar perfeitamente traços de uma cultura popular tão rica como a cubana.

Um abraço!

Mais uma re-retomada.

Olá!
Mais uma vez eu decidi retomar o blog.
Mais uma vez espero que seja em definitivo.
Mais uma vez peço a paciência de quem achar que o que escrevo aqui tem alguma credibilidade.
Abração a todos!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Protótipo de Saudade - II

O mineiro inventador escreveu
'toda saudade é uma espécie de velhice'
Mas o que sabe ele disso tudo?
Quão conhecedor é do meu vazio?

Cada saudade é uma diferente
Sou jovem demais para rotular saudades
e transformá-las em obra de arte
por isso prefiro só sentir, e isso é suficiente.

Porém, pensando melhor..
O que dirão de mim se me virem
um dia osteoporoticamente saudoso
de uma semana que foi um ano?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Protótipo de Saudade - I

A saudade é muito.
E o vazio é vazio só,
nem tanto, nem tão pouco.
Mas ela é muito através dele.

E esse vazio tem tudo
de cheiro, vontade e agonia.